Os brasileiros leem pouco? Bienal do Livro 2026 prova o contrário

Evento reuniu mais de 700 mil pessoas durante os dez dias de programação 

16.09.202615h23 Por Guilherme Fonseca, sob orientação de Camila Lippi

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Os brasileiros leem pouco? Bienal do Livro 2026 prova o contrário

“Os brasileiros não leem”, “A juventude não gosta de ler” ou “O brasileiro é ignorante porque não lê”, são frases comuns quando se fala sobre os hábitos de leitura no país. Mas será que elas realmente representam a relação dos brasileiros com os livros? 

A última edição da Bienal do Livro, encerrada no último domingo, 13 de setembro, mostra que a realidade pode ser bem diferente. Durante os dez dias de evento, o evento recebeu mais de 700 mil visitantes, alcançando um recorde histórico de público e se tornando a maior já realizada. 

O número chama atenção principalmente por contrariar a ideia de que os brasileiros, especialmente os jovens, não têm interesse pela literatura. Afinal, se a leitura estivesse tão distante da população, seria difícil explicar a presença de milhares de pessoas em um evento dedicado exclusivamente aos livros, aos autores e à literatura. 

Uma possível explicação para esse cenário está nos novos formatos de leitura que surgiram com as transformações tecnológicas. Hoje, o acesso aos livros e a diferentes conteúdos literários é mais amplo, e a leitura deixou de estar restrita ao modelo tradicional do livro impresso. 

Segundo a professora de Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), Marisa Lajolo, o modo como se lê atualmente não pode mais ser compreendido da mesma forma que no passado, já que as novas tecnologias possibilitaram diferentes experiências.  

“Leitura não pode ser um conceito restrito ao meio impresso. É isso, mas é também mais do que isso. Lê-se em diferentes e múltiplos códigos, que a modernidade se encarregou de multiplicar. Penso em bienais, e nos inúmeros eventos contemporâneos sobre livros e leitura, como registros do novo estatuto do livro no mundo atual”, revelou a docente. 

Para o analista de sistemas, Carlos Troncoso, de 62 anos, a Bienal é também uma oportunidade de compartilhar esse interesse com a família. Ele contou que frequenta o evento com a filha sempre que pode e que a paixão pelos livros já o levou a participar de outras edições. “Gostamos tanto que já fomos até na do Rio de Janeiro”, afirmou. 

A presença do público jovem também chama atenção. A estudante Gabriela Nunes, do ensino fundamental, acredita que a visão de que os jovens não leem parte, muitas vezes, de pessoas que não acompanham de perto o universo literário. Para ela, os próprios jovens podem contribuir para aproximar outras pessoas dos livros. “Somos uma inspiração para as crianças, para incentivar os outros a lerem também”, declarou. 
 
Mais do que um encontro entre leitores e escritores, a Bienal evidencia que existe, sim, interesse pela literatura no país. O sucesso da edição de 2026 não significa que todos os brasileiros sejam leitores assíduos, mas mostra que reduzir a relação da população com os livros à ideia de que “o brasileiro não lê” é uma generalização que não corresponde aos hábitos de leitura no país. 

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