O pesquisador do Instituto Mackenzie de Pesquisas em Grafeno e Nanotecnologias (MackGraphe), Marcelo Bueno, participou do Global Agribusiness Festival, maior fórum mundial do agronegócio, e integrou o painel "Educação do Elementar ao Pós-Doc: A Intercooperação Acadêmica e o Futuro do Agro Nacional”.
O evento, realizado nos dias 1º e 02 de outubro, em São Paulo, é referência no universo do agronegócio e reúne quatro pilares – Conteúdo, Feira de Negócios, Gastronomia e Entretenimento – que exploram diferentes aspectos do setor. Ao todo, foram mais de 35 painéis e mais de 100 palestrantes, distribuídos em seis palcos simultâneos.
Mediado por Guilherme Bastos, coordenador da FGV Agro, o painel também contou com a participação de Thais Maria Ferreira de Souza Vieira, diretora da Escola Superior de Agricultura da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP), e de Adriano Teodoro Bruzi, pró-reitor de Pós-Graduação da Universidade Federal de Lavras (UFLA).
Em sua fala, Marcelo Bueno apresentou brevemente a atuação do MackGraphe e suas aplicações tecnológicas na indústria, na saúde e no setor de energia. O pesquisador destacou que, atualmente, o foco está na aproximação das pesquisas com as demandas do campo, buscando soluções para desafios como saúde e nutrição equilibrada do solo, bioinsumos eficientes, eventos climáticos extremos e desenvolvimento de novos materiais.
De acordo com o pesquisador, estudos de metagenômica – que investigam os microrganismos presentes no solo e as funções que podem desempenhar – e de metabolômica – voltados à análise das moléculas que revelam processos e respostas –, além da integração de dados biológicos, materiais e conhecimentos agronômicos, podem ser aplicados por meio de compósitos e da nanotecnologia, com o propósito de aumentar a produtividade agrícola.
Do ponto de vista acadêmico, a intercooperação e a integração entre diferentes instituições, segundo ele, são fundamentais para construir uma base sólida de ensino e, consequentemente, contribuir para a qualificação do trabalho no campo. “Precisamos aprender a trabalhar juntos em nome da inovação e para continuar progredindo, pois no agro não se trabalha sozinho”, reforçou Marcelo Bueno.
Sobre as competências que as universidades precisam desenvolver diante do futuro do agro e da estimativa de uma população mundial de 10 bilhões de pessoas até 2050, o pesquisador ressaltou a importância da internacionalização e da mobilidade acadêmica. “Trazer demandas, conhecer o mundo e diferentes culturas para entender o consumidor e suas necessidades”, afirmou, ao destacar o intercâmbio entre países como um dos caminhos.
O que dizem os outros pesquisadores
Para a diretora da ESALQ/USP, Thais Maria Ferreira, a universidade é responsável por conectar pesquisa e ensino à sociedade, por meio de parcerias com produtores, empresas e comunidades, além de projetos interdisciplinares que enfrentam problemas reais e conciliam produtividade, biodiversidade, qualidade dos alimentos e saúde humana.
“A ESALQ forma pessoas para um mundo em transformação e, em 125 anos, a formação evoluiu com a sociedade”, disse Thais Maria. Ela também reforçou que a base científica permaneceu, enquanto o campo de atuação se ampliou e novas portas de entrada e perfis de estudantes surgiram.
Já o pró-reitor de Pós-Graduação da UFLA, Adriano Teodoro Bruzi, apresentou um estudo de caso da universidade sobre o cultivo da soja e a contribuição do melhoramento genético para a expansão do cultivo no Cerrado, enfatizando a atuação dos programas de mestrado e doutorado. “A produção vegetal do Brasil já alimenta mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo, usando para isso apenas 8% do território nacional”, apontou.






