A tartaruga, o coelho e o Cordeiro

13/04/2017

Geral Chancelaria


Palavra do Chanceler aos mackenzistas

O conto da tartaruga e o coelho é mundialmente conhecido. É possível que, neste momento, você esteja mentalmente visualizando as imagens da narrativa. Usada para ensinar a perseverança e a paciência, bem como os perigos da soberba e da autoconfiança, a fábula é dirigida a todas as idades. De fácil apreensão e nitidez visual, foi contada na forma de desenho animado, quadrinhos, livros, e ainda se faz presente em palestras motivacionais e material paradidático escolar.

Todavia, cabe uma pergunta: o que seria do conto se os protagonistas fossem radicalmente alterados? Imagine se a comparação entre o coelho veloz e a vagarosa e corpulenta tartaruga se perdesse. A resposta é óbvia: o que torna o final realmente empolgante é a disparidade entre as personagens. A grande virada acontece quando o mais lento supera o mais rápido. É imprevisível que a desprezada tartaruga vença a corrida. A substituição de atores, então, afetaria a abissal oposição entre eles, e o impacto da história seria anulado.

Diante disto devemos pensar na Páscoa e seus personagens. Esse evento histórico traz uma disputa entre duas figuras da realidade humana: a vida e a morte. A morte foi enviada como praga, e caiu sobre o Egito. Foi a ação derradeira de Deus para libertar seu povo da escravidão. A morte alcançou as famílias egípcias, mas passou por cima das casas dos israelitas - daí a ideia de Páscoa: passar por cima. Os israelitas foram salvos pelo sangue do cordeiro, cujo sinal foi posto em suas casas (Êx. 12. 1-36). 

Em princípio, é estranho considerar que um cordeiro vença a batalha contra um predador voraz. Entretanto, o propósito das Escrituras Sagradas é apontar a maior de todas as viradas da história da humanidade. A inigualável vitória de um protagonista sui generis. Do modo como há clareza visual no conto do coelho e da tartaruga, o cordeiro realça o ensinamento da Páscoa bíblica. O cordeiro é frágil, pois, com menos de um ano de idade, não possui os mecanismos de defesa de um macho adulto, o carneiro. O cordeiro é presa fácil de um predador. Pode, desse modo, a implacável morte ser superada por um cordeiro?

No entanto, é o Cordeiro que vence (Ap. 5. 12). A figura bíblica é de riqueza singular. O que se fez fraco venceu aquele que aparentava ser forte. Com efeito, a Páscoa é a história mais bela da humanidade. Uma fábula pode encantar gerações, ser repetida e ensinada. Muito mais a história factual da Páscoa. Sua autenticidade é perfeita para ensinar crianças e adultos acerca da grande vitória do Cordeiro, Jesus Cristo, o Deus-homem.         

Nesse afã, há um efeito colateral indesejável quando as personagens principais da história da Páscoa são substituídas. Tudo se perde. A inversão da Pessoa do Cordeiro por um coelho, por ovos de chocolate ou outros produtos comerciais esvaziam o sentido da Páscoa. De fato, é insubstituível o protagonismo da Pessoa de Jesus Cristo, do Cordeiro que foi morto e ressuscitou (Jo. 1. 29).

Portanto, rogamos ao nosso Senhor que nossos olhos estejam postos no Cordeiro de Deus, imolado numa cruz e moído por nossas transgressões (Is. 53), porém, ressurreto no domingo de Páscoa (Jo. 20). Uma história com intérpretes que não podem ser substituídos, uma vez que, somente assim, entendemos que Jesus se fez homem e assumiu o nosso lugar na cruz, entretanto, o Cordeiro venceu a morte (Ap. 17. 14). Jesus não é fraco, mas se humilhou, se fez fraco momentaneamente, fazendo-se servo por amor de nós (Fp. 2 6-10). Devemos, deste modo, ensinar nossos filhos, amigos e familiares que em Jesus Cristo, o Cordeiro, aquele que aparentou ser o mais fraco venceu os que usavam o disfarce de invencíveis, a saber: o pecado e a morte (Ap. 22. 14).   

Que Deus o abençoe!

 

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