2008 - Jean Haralambos Bassoukou - Direito

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Quem nunca ouviu falar da famosa Universidade de Coimbra? De longe, umas das mais antigas e tradicionais universidades de todo o mundo. Deve ser por esse motivo que vivo em uma das atmosferas mais propícias às minhas realizações pessoais como estudante de Direito.

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Os meus primeiros passos foram dados junto com a equipe da ACOI. Marquei um horário para saber mais sobre a possibilidade de fazer um intercâmbio e busquei na opinião de professores e amigos os valores que essa experiência poderia me trazer. A partir de então, foi somente preencher os pré-requisitos pedidos pela ACOI e recolher todo o material burocrático para que dessa forma eu pudesse efetivar minha inscrição junto à faculdade de Direito.

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Os formulários podem ser facilmente encontrados no site: http://www.uc.pt/driic . Tanto os para a universidade quanto para os alojamentos oferecidos pela Universidade. Os de alojamento valem à pena serem preenchidos, pois te oferecem uma vantagem de já ter um lugar onde ficar desde o momento que se pisa em Coimbra.

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A inscrição para a Faculdade é basicamente os seus dados pessoais e as matérias de seu interesse, elas podem ser modificadas quantas vezes quiser e julgar necessário. Para falar a verdade, existe um tempo razoavelmente grande para efetivar a inscrição às matérias, que não precisam ser necessariamente às da faculdade de Direito. Por exemplo, curso uma cadeira de Francês na Faculdade de letras e tenho amigos que fazem cadeiras em Relações Internacionais.

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Por ser cidadão Europeu não me preocupei com o visto de estudante e permanência no País e, portanto pude cortar uma burocracia grande de todo o Processo. Para esses que possuem situação similar a minha, não é preciso se preocupar com absolutamente nada até a entrada no País. Mais ou menos 2 meses antes da viagem, chegou em minha residência uma carta de aceitação expedida pela Universidade de Coimbra, lá constava meus dados como futuro estudante, leve-a consigo em caso de precisar no aeroporto no momento da entrada em Portugal. (Eu não precisei mostrá-la, mas é bom ter).

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Logo que chegar em Coimbra, vá falar com a Dra. Regina Freitas que lhe informará algumas burocracias que mesmo quem é cidadão europeu deverá fazer. Na verdade, temos que efetuar um registro na chamada “loja do cidadão”, espécie de “poupa tempo” português.

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Caso tenha feito o preenchimento da inscrição para o alojamento, chegará no seu e-mail a confirmação da residência estudantil. Geralmente eles garantem os primeiros 15 dias, mas deixam facilmente ficar mais se pedirem. Quem cuida desses assuntos é a Doutora Rosário, super simpática e solícita com todos os Estudantes, basta uma conversinha que se garante mais um mês, depois mais outro e depois se tornará, embora não deixem claro, definitivo.

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Os alojamentos são uma boa pedida para aqueles que visam comodidade e contenção de gastos. Ou são de 60 Euros ou de 100 Euros. Os primeiros se situam nas chamadas “CAVS” da residência PÓLO II – 2, exatamente onde estou morando. São dormitórios para 2 estudantes, com banheiro, casa de banho e Internet no quarto. São muito bons, entretanto são um pouco longe da faculdade de Direito, mas há ônibus em todos os horários de segunda a sexta. Existe a possibilidade, para aqueles menores de 25 anos, de pagar 22,50 mensalmente por um cartão de ônibus ilimitado durante o mês, incluindo sábados, domingo e feriados.

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Existem também os dormitórios de 100 Euros, que são os demais quartos da minha residência e os das outras residências universitárias. Todos possuem sistema de aquecimento, cozinha, roupas de cama e de banho e ainda lavanderia. Nem todas as residências possuem Internet, geralmente são as residências que ficam mais próximas da universidade de Direito.

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Muitas pessoas também alugam quartos em pensões ou dividem apartamento com amigos. Em média, variam de 150 a 300 Euros dependendo do lugar e o que oferecem. É normal encontrar em postes pela cidade anúncios de quartos para estudantes.

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A faculdade de Direito é uma das mais tradicionais em Coimbra. Os professores são muito bons. As aulas são divididas em práticas e teóricas, por isso, aconselho pegarem no máximo 4 matérias, senão dificilmente se encontrará maneira de conciliar todos os horários. Estou cursando Direito Constitucional, Direito Fiscal, Direito Comunitário e ainda uma Cadeira de Francês na Faculdade de Letras.

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Apesar de serem ministradas em português, no começo é um pouco estranho acostumar o ouvido ao sotaque “português”, principalmente quando falam rapidamente, mas com o tempo isso passa e se torna natural. Todas as cadeiras disponibilizam material na Internet na página de cada curso. Podem-se adquirir facilmente os livros na biblioteca ou então comprá-los, até interessante para levar como um material de apoio para o Brasil. Em média um livro custa entre 35 – 45 Euros e uma Constituição Portuguesa uns 5 Euros.

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O sistema de avaliação depende de cada matéria. Geralmente são feitas por avaliação final ou trabalho para os alunos intercâmbistas, mas não existe moleza para os que vêm de fora. Somos todos tratados iguais e devemos obter o mesmo aproveitamento que os alunos locais. Geralmente os alunos brasileiros se destacam nas aulas e os professores costumam gostar bastante da gente.

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A faculdade conta com uma Biblioteca e uma sala de revistas com material do mundo inteiro, ideal para aqueles que estão a pesquisar tanto para o TCC, quanto para a Iniciação Cientifica do Mackenzie.

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Coimbra é uma das capitais universitárias do mundo. Facilmente encontra-se gente de fora. Espanha, Itália e ex-colônias portuguesas são os Principais. A infra-estrutura e a carga intelectual que ela nos oferece são muito Grandes, entretanto, não é apenas isso que se pode aproveitar de uma experiência dessas.

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Achei muito importante ter feitos novos amigos e muitos contatos com outros estudantes de Direito do Brasil e do Mundo. Os brasileiros são interessantes, pois vem de uma formação muito parecida com a que temos, mas costumam enxergar e pensar o Direito de uma forma diferente da sua. Na verdade, os do resto do mundo também pensam diferente, mas isso já é esperado. Fiz muitos amigos cariocas e do nordeste, de São Paulo vem pouca gente não sei porque, até o nosso professor de Fiscal, o Dr. Casalta Nabais diz ter uma teoria para explicar esse fenômeno, o fato de os paulistas só pensarem em trabalhar.

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Bom, concluo a abordagem do meu intercâmbio como muito proveitoso. Mesmo as matérias não tendo equivalência no Mackenzie, essa é uma experiência que se levará para a vida inteira. O Direito é algo que precisa ser entendido num seguimento amplo e não tão restrito quanto geralmente nos parece nos bancos da universidade.

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A todos aqueles que possuem os mesmos objetivos que os meus, aconselho esse intercâmbio e me disponho a qualquer esclarecimento ou Dúvidas que surgirem durante todo o processo.

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Atenciosamente,

Jean Haralambos Bassoukou

E-mail de contato: jeanbassoukou@hotmail.com